“A emoção transborda da veia…”

Dizem que toda primeira vez é inesquecível. E é…

Me lembro muito bem da primeira vez que fui ao Maracanã, num 0×0 entre Flamengo e Vasco, com meu pai, pelos anos de 1997. Lembro da primeira namorada, que despertava encanto e desencantos. Também lembro da primeira vez que fui a Marquês de Sapucaí, em 1998. O primeiro dia de faculdade… Muitas primeiras vezes…

Mais uma entrará para o hall das inesquecíveis primeiras experiências. Essa, com uma saborosa sensação, guardada e esperada por mais de oito anos, adiada tantas vezes e imprevistas em outras. A noite mal dormida e repleta de ansiedade, dava o tom do que estava por vir: A primeira visita à minha escola do coração.

Foram tantos momentos vividos em diversos lugares pelos lados de cá da Via Dutra, com pessoas e até imaginações, mas nenhuma descreverá aquele momento ÚNICO. As maiores emoções que tive na última década, tiveram nome e sobrenome: Mocidade Alegre. De tanta expectativa, sequer imaginei como seria estar na Morada do Samba, ao vivo, ouvindo obras que tocaram meu coração e me fizeram um pouco mais paulistano nos últimos anos.

Mas aí você me pergunta: Mas tanta emoção por causa de uma escola de samba?

Não é apenas uma escola de samba! É a Maldição do Samba! O Marcelo D2 já tentou, em vão, explicar em (mais de uma) música porque pessoas são tocadas tão fortemente pelos surdos e tamborins. Eu sou uma dessas. Assim como tenho uma história, miúda, pequena, quase despercebida, no samba carioca, também tenho no samba paulistano.

Sabe aquela criança que vai pela primeira vez ao circo, ou parque de diversões, e seus olhos brilham e ficam marejados por qualquer coisa? Assim estava eu, veterano de Sapucaí, mais de 20 desfiles no Maior Espetáculo da Terra e mais famosa manifestação cultural do mundo. Mas o que são todas essas grandiosidades, quando o assunto tratado é AMOR? Já na entrada, a imensa fila me encantava, as pessoas, os sotaques da Terra da Garoa e até os olhares de desconfiança para a minha camisa, cartão de visita que eu era do RJ.

Após apresentar a carteira de ritmista e ter a entrada autorizada e eu avistar pela primeira vez a quadra por dentro, uma explosão aconteceu em mim. Não lembro de nada do que falaram para mim, nem do que estava acontecendo, nem de rostos e nem mesmo quem eu era. Ali estava, frente a frente de uma das maiores paixões da minha vida. O som característica do samba paulistano, da bateria da Mocidade, apelidada (e com justiça) de Ritmo Puro, foram os cartões de identidade para um dia histórico.

Andando em meio a tantos apaixonados (outros nem tanto), as baianas, enfileiradas, já me impressionaram as formas do palco e a quantidade de sambistas realmente, diferente do RJ, onde as finais são repletas de “paraquedistas”. Clóvis Pê assume o microfone e começa a destruir de vez meu peito, que àquela altura, já estava mais disparado que um Fórmula 1. Ao começar os versos do samba de 2007, entendi o que realmente estava vivendo…

A emoção transbordava da veia, os olhos estavam marejados, o momento eternizado.

A vitória dos cariocas e paulistanos, na escolha do samba para 2011, foi uma bela analogia escrita pelo destino: A união de RJ e SP em favor do samba.

Pobre Vinícius de Moraes, que em raro dia de pouca inspiração soltou o pior de seus versos: São Paulo é o Túmulo do Samba. Com certeza ele não conhecia a Morada e tudo o que senti!

De fato, Morada, você é a “campeã de emoções”…

Samba Campeão:

Compositor(es): Douglas, Edimilson, Igor Leal, Marcio Bueno, Rodriguinho e Victor Alves

Oh meu pavilhão
Orgulho e fascinação
A conduzir nossa família
Nessa viagem de encanto e sedução
Gostoso é ser criança, guardar na lembrança
O universo infantil
Terra encantada é doce a ilusão
Onde brinquedos ganham vida
Dando asas à imaginação

Tem magia no ar
Incrível! quem vai desvendar?
Abracadabra, procure entender
Fantástico, é iludir você

Iluminado
É o artista em toda forma de expressão
Na tela do cinema, efeitos visuais
Transmitem sensações tridimensionais
É arte ou será ilusão?
Em cena o mistério, iludindo o olhar
E assim, segue a humanidade a procurar
O mundo ideal pra eternizar
Na vida é preciso delirar
Alegre desfila a paixão
No “paraíso” da minha ilusão
Sou mocidade, força, raça e união

Quem é da morada é mais feliz
Tem amor no coração
Do samba eu sou, a campeã de emoções
Delirante é o Carrossel das Ilusões


“A emoção transborda da veia…”

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